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Gestão de Estoque Farmacêutico: Por Que Dominar o FEFO Elimina Perdas por Validade.

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A Gestão de Estoque Farmacêutico é fundamentalmente mais complexa e arriscada do que a gestão do varejo convencional, pois lidamos não apenas com a disponibilidade do produto, mas com a criticidade intrínseca dos lotes e datas de validade. Enquanto no varejo geral uma falha de processo resulta em remarcação de preço, nesta área crítica, um erro significa jogar dinheiro no lixo através de produtos vencidos. Como consultora, vejo operações que movimentam caixas rapidamente, mas sangram financeiramente devido ao write-off (baixa por vencimento), o vilão silencioso do lucro. O objetivo aqui é estruturar processos para transformar o controle de validade em uma vantagem competitiva.

O Desafio da Validade: Por Que Medicamentos Exigem uma Lógica Diferente

A logística farmacêutica opera sob uma lupa regulatória rigorosa, como a RDC 430 da Anvisa. Sob a ótica financeira, o medicamento é um ativo com um “relógio bomba”: a data de expiração. Diferente de bens duráveis, o valor de um medicamento se deprecia drasticamente à medida que se aproxima do vencimento.

Um dos maiores obstáculos para uma Gestão de Estoque Farmacêutico eficiente é o volume de SKUs e a multiplicidade de lotes. Um único código de produto pode ter cinco lotes diferentes no armazém, cada um com uma validade distinta. A complexidade de decidir qual lote expedir é onde a maioria falha. Sem uma gestão de estoque baseada em dados precisos, as perdas milionárias são inevitáveis.

FIFO vs. FEFO: Entendendo a Diferença que Salva o Fluxo de Caixa

A batalha contra o desperdício neste setor começa na definição da regra de saída. É crucial não confundir as metodologias.

O Perigo de Usar Lógica de Supermercado (FIFO) na Farmácia

O FIFO (First In, First Out) funciona para refrigerantes, mas é desastroso para a Gestão de Estoque Farmacêutico. Se você prioriza a saída do que chegou primeiro, ignora a validade real do produto.

Exemplo Prático: Imagine um antibiótico (SKU 12345):

  • Lote A (Estoque): Chegou em Janeiro, vence em 24 meses.
  • Lote B (Recebido hoje): Chegou em Junho, vence em 6 meses (validade curta).

No FIFO, você expediria o Lote A (que chegou antes). O Lote B ficaria parado e venceria na prateleira. Esse erro é clássico em operações que não especializaram seus processos de lote, acelerando o write-off.

Implementando o FEFO (First Expired, First Out) na Prática

Para uma Gestão de Estoque Farmacêutico de excelência, a única lógica aceitável é o FEFO (First Expired, First Out). Aqui, o vetor de decisão é a data de validade.

Retomando o exemplo, o FEFO obriga a saída do Lote B. Os benefícios de aplicar o FEFO rigorosamente incluem:

  1. Redução de Perdas: Prioriza itens com risco de obsolescência.
  2. Fluxo de Caixa: Converte estoque em receita antes do vencimento.
  3. Compliance: Atende às exigências de validade mínima dos clientes.

O Papel do WMS na Gestão de Lotes e Rastreabilidade

É humanamente impossível executar a gestão de lotes eficiente em grande escala usando planilhas. O Excel não suporta a complexidade de rastreamento de lotes e validades dinâmicas.

O WMS (Warehouse Management System) é o coração tecnológico da Gestão de Estoque Farmacêutico. Ele oferece:

  • Bloqueio Automático: Impede a expedição de vencidos, garantindo a segurança sanitária, pilar desta área.
  • Direcionamento de Separação: O sistema guia o operador ao lote correto (FEFO), eliminando a decisão humana e o erro.
  • Rastreabilidade: Em casos de recall, saber onde está cada lote é vital. Sem um WMS, a operação fica cega e vulnerável.

Negociação com Fornecedores: A Regra do Shelf-Life no Recebimento

Uma Gestão de Estoque Farmacêutico proativa não começa na saída, mas na entrada (Inbound). Aceitar produtos com validade curta sem critério é importar prejuízo.

É vital estabelecer regras de “Shelf-Life Mínimo” no recebimento. Se a regra do seu recebimento exige 12 meses de validade mínima e o fornecedor entrega com 3, o WMS deve bloquear a entrada. Isso força a disciplina na cadeia e protege o seu armazém.

Inventário Cíclico: A Melhor Forma de Manter a Acuracidade

A precisão dos dados é o oxigênio da Gestão de Estoque Farmacêutico. O inventário geral anual é obsoleto para a dinâmica pharma.

A solução é o Inventário Cíclico. Contar pequenos grupos de produtos diariamente aumenta a acuracidade. Nesta gestão, detectar uma divergência de validade cedo permite ações corretivas comerciais, evitando a incineração do produto.

Estoque Parado é Dinheiro Perdido (A Busca pelo Giro Perfeito)

A eficiência na Gestão de Estoque Farmacêutico não se mede apenas pela velocidade, mas pela inteligência na preservação do capital investido em ativos perecíveis. Dominar o FEFO e utilizar tecnologia WMS são os pilares para evitar que o estoque se torne um passivo.

Para gestores que buscam otimização, a mensagem é clara: modernize seus processos. Uma Gestão de Estoque Farmacêutico profissional, baseada em dados e controle rigoroso de lotes, é o único caminho para manter a saúde financeira da operação e a segurança dos pacientes.

Perguntas Frequentes (FAQ) Sugeridas

Qual a diferença entre FIFO e FEFO na logística farmacêutica?

FIFO prioriza a ordem de chegada. FEFO (First Expired, First Out) prioriza a data de vencimento. Na logística farmacêutica, o FEFO é obrigatório.

O que é Shelf-Life (Vida Útil) na gestão de estoque? É o tempo de validade do produto. Monitora-se o “Shelf-Life Remanescente” para decidir se o produto pode ser recebido, vital para o controle de perdas.

Por que não devo usar planilhas para controlar estoque farmacêutico?

Planilhas geram erros humanos e não garantem rastreabilidade. Um WMS é essencial para a segurança e compliance na Gestão de Estoque Farmacêutico.

O que é Inventário Cíclico?

É a contagem de pequenos grupos de produtos diariamente. Isso aumenta a precisão dos dados, fundamental para a acuracidade do estoque.

O que fazer com medicamentos próximos do vencimento?

A prevenção via FEFO é ideal. Se houver risco, o setor comercial deve agir rápido. Um sistema de alerta precoce é chave nesta área.

O que o write-off inclui além do custo de compra do medicamento?

O prejuízo por write-off (baixa por vencimento) inclui: o custo de aquisição do produto; o custo financeiro de tê-lo armazenado inutilmente; e o custo regulatório e logístico da incineração, que deve ser feita por empresas especializadas.

Quais recursos de um WMS são essenciais para assegurar o FEFO?

Os recursos chave são: a rastreabilidade total (identificação única de lote/validade), o direcionamento inteligente de picking (que força a separação do item mais próximo do vencimento) e o bloqueio automático de lotes que atingiram a data de corte de segurança.

Qual norma brasileira específica exige o controle rigoroso de lotes e rastreabilidade?

A RDC 430/2020 da Anvisa (Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos) é a principal norma que torna obrigatória a rastreabilidade e o controle de validade e lotes em todas as etapas da cadeia.

O que é o “Shelf-Life de Recebimento” e como ele é aplicado?

É uma regra mínima de validade (ex: 70% ou 12 meses restantes) que o produto deve ter para ser aceito no seu armazém. O WMS aplica essa regra na doca de recebimento, bloqueando e instruindo a devolução de produtos que chegarem com validade muito curta.

Como a Gestão de Estoque Farmacêutico deve lidar com produtos bloqueados ou vencidos?

Medicamentos vencidos, danificados ou próximos do vencimento (e bloqueados) devem ser fisicamente segregados em áreas de quarentena distintas, claramente identificadas. No sistema (WMS), esses itens devem estar com o status “Bloqueado” ou “Descarte” para impedir qualquer separação ou expedição acidental.

Como se mede o sucesso da Gestão de Estoque Farmacêutico em relação à validade e perdas?

O sucesso é medido principalmente pela Taxa de Write-off (o percentual de perdas por vencimento, que deve ser minimizado) e pelo Giro de Estoque (a frequência com que o estoque é renovado). Altos giros e baixíssimos write-offs indicam que a Gestão de Estoque Farmacêutico e o FEFO estão operando perfeitamente.

O que é um Recall e como a rastreabilidade do lote auxilia neste processo?

Recall é a ação de retirar do mercado um lote específico de produtos por questões de qualidade ou segurança. A rastreabilidade (feita pelo WMS) é vital, pois permite identificar em segundos onde cada unidade do lote afetado está: se ainda no armazém (para bloqueio imediato) ou para quais clientes foi expedida (para comunicação e recolhimento).

O que é picking por voz (voice picking) e como essa tecnologia beneficia o FEFO?

O picking por voz é um sistema que guia o operador por comandos de áudio, eliminando a necessidade de olhar para o coletor de dados. O sistema “fala” o endereço e o lote exato a ser retirado (o lote FEFO), reduzindo drasticamente os erros de leitura manual, aumentando a velocidade e garantindo a seleção do produto com a validade mais curta.

Leia mais

[Como a RDC 430 Impacta o Armazenamento e Transporte de Medicamentos]

📚 Referências

ANVISA. Resolução da Diretoria Colegiada – RDC nº 430, de 8 de Outubro de 2020. Dispõe sobre as Boas Práticas de Distribuição, Armazenagem e de Transporte de Medicamentos. Brasília, DF: Diário Oficial da União, 2020. (Base legal para a gestão de lotes e rastreabilidade.)

CHOPRA, Sunil; MEINDL, Peter. Gestão da Cadeia de Suprimentos: Estratégia, Planejamento e Operação. 7. ed. São Paulo: Pearson Education do Brasil, 2019. (Base técnica para a discussão estratégica de inventário, FIFO e FEFO.)

WHO (World Health Organization). WHO good storage and distribution practices for medical products. Geneva: WHO, 2020. (WHO Technical Report Series, No. 1025, Annex 7). (Base global de boas práticas que endossa o rigor na gestão de validade.)

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